28 de março de 2008

sem título

se tudo não passa de sensação
passa pela peneira aquilo que já não é
escorre, areia diAMANTE
diante do não-desejo,
me vira em oração
me viro num giro, rodopio na roda da vida
acaricio

psiu

21 de março de 2008


'sou tímido e espalhafatoso
torre traçada por Gaudi ...
São Paulo é como o mundo todo
no mundo, um grande amor perdi
caretas de Paris e New York
sem mágoas, estamos aí ... '

20 de março de 2008

16 de março de 2008

cinema

transborda dos sentidos
alcança a alma, transita entre risada e lágRIMA
faz de mim enxurrada, fluxo de energia que salta
tão alta
chega ao centro irracional
irradia
dia

salta

salto, enxergo de perto a enxurrada
assisto um filme, emocionamos em coro
ao vivo
em cores
me atiro num sorriso
finalizo em choro

visito as lembranças
re-vivo
estou viva!
viva é a paixão
re-vive minha saudade ...

12 de março de 2008

composição: Seu Cola

cumadi juana dissi cumadi subastiana qui nu fim dessa sumana teve quarenta afilhado

ritmo: baião caipira

6 de março de 2008

entre livros e pães

livraria como gosto de padaria
o livro ria ao virar suas últimas folhas
caíram ao chão suas fantasias
como folhas,
subiram ao céu as alegrias
como gotas de vapor
te diria se fosse
comeria como pão
desmancharia nosso chão
de dia de noite
encheria teu prazer

maravilha

sigo enfim pela trilha que afasta a rotina
descortina a vida!

vamos à bella paulista!
delícia!

4 de março de 2008

ai, o amor

"amo-te tanto meu amor... não cante
o humano coração com mais verdade...
amo-te como amigo e como amante
numa sempre diversa realidade.

amo-te enfim, de um calmo amor prestante
e te amo além, presente na saudade.
amo-te, enfim, com grande liberdade
dentro da eternidade e a cada instante.

amo-te como um bicho, simplesmente
de um amor sem mistério e sem virtude
com um desejo maciço e permanente

e de te amar assim, muito e amiúde
é que um dia em teu corpo de repente
hei de morrer de amar mais do que pude"

vinicius

árvore invertida

meu alimento percepção
organizador, estruturador da manifestAÇÃO
às vezes com dor
por vezes sem dor
sempre com ardor

minha impressão

raio-X do mundo
imprime no meu corpo, no espaço entre dois movimentos
aquilo que sou
abro um sorriso
desdou o nó
sou sol

27 de fevereiro de 2008

mundo encantado

eu:
- acredito que tudo tenha um valor estético e artístico, esse valor só precisa ser ativado e revelado

o outro:
- me arrisco a dizer que tudo tenha um valor Sagrado ...



*con-vivênciaS !


...

26 de fevereiro de 2008

O Poema

"Uma formiguinha atravessa, em diagonal, a página ainda em branco. Mas ele, aquela noite, não escreveu nada. Para quê? Se por ali já havia passado o frêmito e o mistério da vida ... "

Mario Quintana

assim será

quero mergulhar no mar das possibilidades e abraçar todos os queridos
meus amigos, meus amantes, meus amores, meus primos

aquele que está por vir
vou aguardá-lo, em vigília de paz
pra guardá-lo no meu melhor lugar

virá e me levará até o mar

...

amar

quem diz mais

me contaram do movimento. do fragmento. do não lamento. vi dos portais conscientes as flores abrindo. me colocando sobre a água. o ato criador é a própria criação. eis a dança. a interpretação. o deslocamento das idéias buscando a força na parte. fragmentário movimento gerador da ação. fragmento em si dotado do todo. mas sem significação isolado. a ausência do lamento. pois a força está na vivência.

eu vi. eu sorri. eu compreendi

dancemos!

24 de fevereiro de 2008

noite de 23/02

agradeço
sim, eu mereço
amoleço

eu cresço

deixo meu apreço
por ela que me trouxe essa graça
obrigada pela noite mágica!

23 de fevereiro de 2008

21 de fevereiro de 2008

da posse e da leveza

o que for meu, será mEU
o que for eu, será nosso

consciência

visto
visito
vestido

insisto
sinto
não desisto

resisto

o visto é o seu não visto
o real não é o seu vestido
insisto no sonho que sinto
visto meu desejo de fundo luminoso
visito o que em mim resiste
existe

enfim, existo

13 de fevereiro de 2008

estética da ginga. arquitetura dos morros.


o espaço em movimento. arquidançando.


o silêncio entre

"Encontrar-se no ' vazio ' pode ser desorientador e até assustador. Nada em que se apoiar, nenhum sentido de direção, nem mesmo um indício a respeito de quais opções e possibilidades poderiam estar à frente. Era, porém, exatamente esse estado de potencialidade pura que existia antes que o universo fosse criado. Tudo o que você pode fazer agora é relaxar no seio dessa não-materialidade... Mergulhar nesse silêncio entre as palavras... Observar esse vazio entre a expiração e a inspiração, e guardar o tesouro de cada momento da existência. Alguma coisa sagrada está para nascer."

Osho

10 de fevereiro de 2008

hoje o samba saiu!

"de tanto levar frechada do teu olhar
meu peito até parece sabe o quê?

tauba de tiro ao alvaro
não tem mais onde furar!"

a arte é janela da alma

por que a arte é contemporânea
se a alma é atemporal?
se a noção de tempo é uma invenção do homem moderno,
se meu espírito experimentou todas as idades:

do nascimento da Lua ao dia em que fui tua!

a palavra monta o conceito
e desmonta a experiência ...

...

o que dói?
o que não se sente

sente-se e fique à vontade

7 de fevereiro de 2008

quando eu olho com mEUs OlhOs eu vejo dança!

círculos coloridos
maiores, menores
de todos os tamanhos!
guarda-chuvaS
guardam um ritmo
dezenas, centenas deles
guardam, executam movimentos suaves e ligeiros
pra cima, pra baixo
em frente, atrás
na contramão
por todos os lados
cruzando-se
fazendo dança
dançando
flertando-se
pra cima, pra baixo!
suave! ligeiro! em frente
sem fim!
eu vejo. escuto.
são escudos bailando
na saída do metrô consolação
movimentam a avenida
é lindo! lindo!
movimentam o meu coração,
o espaço!
arquitetura em movimento ...

e eu entrei pra ver todo o espetáculo
com um único bilhete
bilhete único
de camarote!

5 de fevereiro de 2008

sapos na estrada

tem um ponto específico no corpo para desfazer essa tensão,
aperte
na dobrinha perto do cotovelo
aperte ..
do-in
doído
é sim

quantos sapos engolimos por dia, por mês,
por estação?
e por trabalho, por amigo, inimigo,
amor perdido ou embriaguez?

dói
corrói
no coração ...

aperte!

perto do peito sentirá o alívio,
solta
salta

engulo-aperto-solto
ou
não engulo, solto perto do entulho

3 de fevereiro de 2008

mal da modernidade

(pós) modernidade
vem e tira nossa eternIDADE
corta as raízes a cada espaço de tempo perCORRIDO
tornou-nos escravos da mediocridade

sinto-me numa corrida,
na qual quem consome mais energia alheia vence o vencido

oprimido ...

quem sabe mais o francês, o ballet e o adobe premiere
ou praticou tênis e fez curso de inglês
sai na frente, esnobando seu poder

a Experiência e a Sabedoria nada contam na disPUTA
muito menos o seu SER ...

estão abertas as vagas para o curso de enologia
levando um amigo você ganha 50% de desconto na matrícula,
reserve ainda um tempo pro MBA
mexa-se, vá a luta!
ou você pode acabar na Augusta

sua puta!

2 de fevereiro de 2008

arco-íris

todas as fatias de céu roubadas de São Paulo
aqui estão
dispostas, uma a uma,
coloridas
compondo o infinito do espaço,
dando seu ritmo
imensiDÃO

já não são o opaco
não mais opacas
já não estão recortadas,
inteiras, preenchem com luz e beleza
minhas retinas desbotadas...

o universo me pega
é parte do que sou
sou parte do céu
me apego, não me nego
sou réu!

30 de janeiro de 2008

são, sã!

compreensão
com pressão
não! sem presSÃO!
sem pressa
são compressas de feridas leves,

levo rente à pele quente
que sem pressa, cura o pensamento doente

sem pressa
compreendo
não prendo
entendo
tendo entre o pensamento doente e o coração, meu caminho ÃO
meu carinho
carrinho de paixão

dão vida, dão cheiros de flores
dão amores
dão alívio na tensão

devagar divago ...
não há nada de vago!

Florbela Espanca

"São mortos os que nunca acreditaram
que esta vida é somente uma passagem,
um atalho sombrio, uma paisagem
onde os nossos sentidos se pousaram.

São mortos os que nunca alevantaram
de entre escombros a Torre de Menagem
dos seus sonhos de orgulho e de coragem,
e os que não riram e os que não choraram.

Que Deus faça de mim, quando eu morrer,
quando eu partir para o País da Luz,
a sombra calma de um entardecer,

Tombando, em doces pregas de mortalha,
sobre o teu corpo heróico, posto em cruz,
na solidão dum campo de batalha!"

(sob a luz)

27 de janeiro de 2008

mundo cão

eu não vou me adaptar!!!

26 de janeiro de 2008

da janela eu vejo

a roda gira,
a vela queima
escurece o dia
quem me faz companhia?

toca a campainha, solidão
passa a água entre o pó
passo o café
agradeço, faço uma prece
solidão me obedece,
quer mais uma xícara?

queima o incenso
vira a página do livro
gira a Terra, movimenta o mar
acrescenta mais um no censo de maio
quem te faz alegria?

pisa no chão
desgasta o solado da sandália
dá nó meu cordão
queima a mandala
a Lua é cheia
quem desfaz o nó dos que dão?

de tudo nasce um-verso
universo
uni o que morreu ao que nasceu
tudo vai,
de tudo, algo vem ...
não é não meu bem?

movimentos

movimenta
a roda gira, eu gero
o café acaba, a Lua cresce
do universo eu peço, eu rezo, eu quero ...

eu espero

"não existem perdas, existem movimentos"

Mãe Natureza

"A humanidade, como o resto da vida orgânica, existe sobre a Terra para os fins próprios da Terra. E ela é exatamente o que deve ser para responder às necessidades da Terra no momento presente.
Só um pensamento tão teórico e afastado dos fatos como o pensamento europeu moderno podia imaginar a possibilidade de uma evolução do homem independente da natureza ambiente, ou considerar a evolução do homem como gradual conquista da natureza.

Quer viva, quer morra, evolua ou degenere o homem serve igualmente aos fins da natureza!"

Gurdjieff

25 de janeiro de 2008

pedreiro

as pedras gargalham no meio do caminho
uma a uma juntam-se
textura rígida sobre o chão
costuram a terra, tampam seus ouvidos

gargalham

tampam os olhos do pedestre desatento
sofrido
donas da superfície irregular, são elas, de base sólida
são dores do pé descalço
pobre pedestre

gargalham as pedras

da terra sobe a luz, abre o chão
sofrido sorri sobre a textura
abrem-se os ouvidos
vê entre,
o vão

as pedras lhe servem de chão
ou choro se enxerga em vão ...

comilança e lambança

gosto mesmo é do bauru
napadria perdicasa eu como mesmo se for cru
crufagia
já me vem a fadiga
eu como de tudo

essa noite sonhei que dois homens me beijavam abaixo da cintura

crua e nua pela rua
de manhã iremos apadria
viajaremos para bauru
e trocaremos de cintura

à tarde
comeremos nossas vontades
do misto ao bauru

15 de janeiro de 2008

parabéns pai

ele é assim, sem fazer nada faz um tudo
deixa a vida mais fácil de respirAR
além, mais linda, mais simples de acreditar
acredita na coisa dita
mais ainda na coisa sentida
apóia
feito mesa de madeira nativa
apoio
firme, forte
com aquela barba
que conheço desde piquitita

ben-dita barba!

sorri
faz cara de bravo
fala da natureza como quem a descobre pela primeira vez
fala de nomes que guardo uma só vez
goiaba, formiga, manga, bem-te-vi, saracura
tá tudo na sagrada escritura!

carrega como relíquia

faz seu chão assentado de piso simples, da Bíblia
bem assentado
acabamento que agrada os olhares
os lares
sua ARTE, seu ponto de vista

quantas alegrias!
grati-dão
me dão
seu jeito me faz sorrir
sou grata

e nada mais poderia ser
é o tudo!

sou aPAIxonada

que ela regresse?

mas se ela voltar
se ela voltar
que coisa linda
que coisa louca ...

chega de saudade!

10 de janeiro de 2008

criança em dança

danço
dançam
dançamos

dancemos

dança, dançando!

dancem!

com c
com cedilha


a dança dedilha as cordas mais íntimas do corpo!


dancemos ...

Kabir

Dance, meu coração! Dance hoje com alegria. As formas do amor enchem os dias e as noites de música, e o mundo ouve a melodia. Loucas de alegria, a vida e a morte dançando ao ritmo dessa música.As montanhas, o mar e a terra dançam. O mundo do homem dança em riso e lágrimas.

8 de janeiro de 2008

prazer

fiz biologia
mas me encantei mesmo foi pela orgia
hoje em dia as horas viram a esquina
me encontram ali, atrás da cortina
descoberta
aberta!
sem sentidos
cega, apenas meu corpo me dá as respostas
minhas costas revelam meu desejo
minhas bocas acariciam o estranho
me reconheço,
assumo o desconhecido
e encho de prazer meu sorriso

2 de janeiro de 2008

exercitANDO

diante das coisas não ditas
dos passos sem marcas no asfalto, no chão de terra batida
do murmúrio baixo que não ultra-passa os ouvidos presentes
ou-vindos de outros por trás das janelas
ausentes de palavras altas
corre tudo no imagináRIO da vida
correnteza forte levada a tempo
sem pressa, sem calma, descompassada com minh'alma
minha alteza, minha REALeza
fantasia que eleva os pobres
alma empobrecida pela vaidade
enCAPAda de egoísmo, diz não à cumplicidade
esTAMPAda de cores em preto e branco
corre tudo, anda sem ritmo pelo labirinto
sem saber que as portas não correm na mesma velocidade
estão aquém, além do tempo
voam por cima do ego, aberturas que permitem mEU

1 de janeiro de 2008

...

Resta essa capacidade de sorrir
depois de caídas todas as lágrimas
o desejo insaciável de amar e ser amada
a cada abandono desesperado do amargo não

resta a vontade de renovar a aliança
sentir renascer a cumpliCIDADE
a ternura tola dos poetas
condenada pela eternidade à prisão da esperança

o resto é resto!