22 de janeiro de 2009

pé-de-milho


veja só


acesso restrito


eunocinza. cênomar

guardo seu gosto, sua voz e suas cores ...
tenho sua pele no negativo da minha.
o que provoca, marca no chão queimado
vinho e orides
cidade à (sua) vista. de brises descolados.
cola em mim?

sem ter que ter

eu que tanto queria,
é, poderia
não, eu quero
claro, se te(ce)ria
não de covardia
sim, sua vadia!
sem dia, noite só alforria
meu, desejo de poder
livre, sem mais nenhum ter
ter que ter, de me re-fazer
de noite, só boemia
alforríamos
mas eu, que cara cê-ria?

19 de janeiro de 2009

quase

quase tudo tenho aqui, de olhos abertos percebo em fragmento,
fechados vira o que sinto, senti-mento
joga fora a sobra, coloca dentro a falta
em alta vibração.
de nada adiantaria a voz que clama, sem a alma varredora de luxos e lixos recicláveis
vou de cem dedos a tocar sons de pele e prosa
de noites a ver embora o precioso, o preciso momento da excitação
[preciso]
e vir chegando em horizontes linhas-mar-laranjazuis nova cura
mistura tudo e rega, brota na fronteira de mim a cura-paixão.

14 de janeiro de 2009

teu

sinto leve
farejo teu instante,
boto na saliva e saboreio feito presa

instigo teu instinto
ouço aquilo que contempla [meu-tempo-meu-templo]
levo em mim: coisa, suor e vento.

leve vôo.

....


ai..

13 de janeiro de 2009

caderno/07

eu, que antes te amava
e me revirava dentro da tua ausência na cama
a procura de um lado que fosse mais meu que teu,

hoje, sou só minha, presença amiga
e um alívio de não ser mais tua
nem amante, nem sina.

11 de janeiro de 2009

aqui

"do povo oprimido nas filas, nas vilas, favelas
da força da grana que ergue e destrói coisas belas
da feia fumaça que sobe apagando as estrelas
eu vejo surgir teus poetas de campos, espaços
tuas oficinas de florestas, teus deuses da chuva"

ah, meu coração vagabundo!

8 de janeiro de 2009

6 de janeiro de 2009

verso-clic

numzoom escalo dentes, chinelos, assentos
na escrita reformada dispensa acento
eu, não tiro meu chapeu-éu-eu?
não faço ideia!
sento sobre a pedra
clico um clic
feito clip na TV
sessão da tarde me repete
eu na ortografia, eles, par de uma lente
vale a pena escreVER de novo

sob

sobre os Arcos da Lapa


tec tec


metalinguagem



*ferroviária e rodoviária de São Carlos - 2003


4 de janeiro de 2009

pra você

o rio tem bossa nova. tem você mais eu. mistura tua no meu inglês.

pro samba que você me convidou


23 de dezembro de 2008

sabores

hoje eu anoiteço e me recordo daquela estação com um gesto talvez não de saudade
não de agonia, diferente da solidão
acordo com gosto da capacidade do sentir
sentir tão lindo e tão dentro
purinho
na perspectiva das possibilidades de encontros de lugares meus
dessa emoção que brota dum dia ensolarado
ou numa noite troca e toca,
cresce sem permissão, alimentado de coisas que mexem e remexem a alma
me botam na calma, de encontro com sou, estou e vou.

22 de dezembro de 2008

21 de dezembro de 2008

sjrp

tem-uma-mangueira-naminha-calçada

18 de dezembro de 2008

15 de dezembro de 2008

par pra minha dança

9 de dezembro de 2008

não dou conta da conta que fiz
será que dá pra par-celar?

7 de dezembro de 2008

ver-sol

quando já estivermos na escassez da palavra
e tudo antes existido se dissolver
disso vou escrever, ver o que ainda resta pros ouvidos quase mortos
quero o vestido rodado mais esquecido
contar de suas cores num giro
se já não houver mais corpos a rodá-lo
dançarei eu só
só eu
entre letras até às seis
até ressuscitá-las das bocas, das fitas e das orquídeas
até o verSÓ se ver-sou.

28 de novembro de 2008

27 de novembro de 2008

dos lugares que visito fica o meu olhar
fica meu-o-olhar, e o cheiro no varal da casa de morar

é luz e faz jus





*desenho de Paula

23 de novembro de 2008

eu não vou escrever aqui mais uma palavra de amor!

não, não me sobrou mais nenhuma pra estampar essa tela, tela preta de teclar.

22 de novembro de 2008

15 de novembro de 2008

eu e você

se te percebo
daqui aTRAIO, te trago
feito cigarro,
meu fumo afasta mal olhado

espanta espantalho

se daqui percebo,
tudo, percevejo

te rasgo
deixo tudo uma coisa só
nós dois, um nó

agora eu era o herói e meu cavalo só falava inglês


12 de novembro de 2008

levo assim. leve assim



parte de mim é o que vejo
a outra parte, vermelho

9 de novembro de 2008

vou contar um conto, vou chamá-lo de canto da ausência.



ela já sentia gelada a água. sentia o frio e o suor do estômago gota a gota crescerem dos pés em direção ao tornozelo, cintura e esmalte vermelho. água de poça, de transborda, de borda de rio.
podia naquele instante parar e saltar, alcançar o espaço quente, o lugar firme do casaco no corpo e do alívio no ranger dos dentes.
escolheu ficar. estática. gelando.
além, escolheu de dentro buscar pouco a pouco o carinho pulsante, o calor latente, colar di-amantes perdido no lago sereno, na mesa do café, no olhar da troca.
colheu tudo o que pode no tempo que lhe restava, colheu os sorrisos, os gestos, o aperto no peito, a atenção recebida e toda a paixão, enfim, erguida.
juntou cada pedaço re-encontrado e montou com um ou dois movimentos um abrigo. quente tão quente que aquela água parecia ser só uma armadilha pra ela não continuar, e deixá-la sem experimentar a sensação mais mágica de sua vida, o que chamo aqui de Encontro. todo o resto assim lhe parecia pequeno perto disso. ilusões e devaneios de uma cabeça inchada.
fixou no que tinha em mãos, em mente, a frente, em volta, nos pés, na alma. sentiu uma paz imensa e uma vontade de ser mais. com tudo somado tinha certeza da passageira tempestade, certeza de que era apenas uma passageira sem aviso prévio, alguém que descobre como se sente a vida com cada poro do tempo. em cada poro do corpo.

foi quando quis compartilhar, contar do que tinha visto e sentido. quis falar da plenitude, do amor suave, da conquista da intimidade, do casaco grosso que tinha esquecido no armário. que agora podia emprestá-lo, ser com ele.

e foi que a água sem mais espera, inquietante, subiu subiu subiu, deixou seus braços, pernas e seu abrigo batendo, procurando saída, procurando uma voz alta que pudesse falar tudo antes do tudo. mas tal água densa sem enfim, sem conseguir escutar, congelou-a toda. deixou afogada todas as suas descobertas e seu sonhos encontrados.

ali naquele instante.





não. vou chamá-lo de canto da saudade.
gosto de vestir listras
e beijar bolinhas

delirando. o livro e o chão



esse é fera demais


*mê, chegou!

7 de novembro de 2008

DESABAfos

(co)ordenaDOR
descoordenamor

vaipraputaquepariu
e-zé-fi-ni-u

sá(ba)bado

cadavezqueemvezdecinco
vezesdoissefazemdez
dezvezessinto
dasvezesdanço
talveztechamo
promeutangomanco
orangotango