15 de dezembro de 2008

par pra minha dança

9 de dezembro de 2008

não dou conta da conta que fiz
será que dá pra par-celar?

7 de dezembro de 2008

ver-sol

quando já estivermos na escassez da palavra
e tudo antes existido se dissolver
disso vou escrever, ver o que ainda resta pros ouvidos quase mortos
quero o vestido rodado mais esquecido
contar de suas cores num giro
se já não houver mais corpos a rodá-lo
dançarei eu só
só eu
entre letras até às seis
até ressuscitá-las das bocas, das fitas e das orquídeas
até o verSÓ se ver-sou.

28 de novembro de 2008

27 de novembro de 2008

dos lugares que visito fica o meu olhar
fica meu-o-olhar, e o cheiro no varal da casa de morar

é luz e faz jus





*desenho de Paula

23 de novembro de 2008

eu não vou escrever aqui mais uma palavra de amor!

não, não me sobrou mais nenhuma pra estampar essa tela, tela preta de teclar.

22 de novembro de 2008

15 de novembro de 2008

eu e você

se te percebo
daqui aTRAIO, te trago
feito cigarro,
meu fumo afasta mal olhado

espanta espantalho

se daqui percebo,
tudo, percevejo

te rasgo
deixo tudo uma coisa só
nós dois, um nó

agora eu era o herói e meu cavalo só falava inglês


12 de novembro de 2008

levo assim. leve assim



parte de mim é o que vejo
a outra parte, vermelho

9 de novembro de 2008

vou contar um conto, vou chamá-lo de canto da ausência.



ela já sentia gelada a água. sentia o frio e o suor do estômago gota a gota crescerem dos pés em direção ao tornozelo, cintura e esmalte vermelho. água de poça, de transborda, de borda de rio.
podia naquele instante parar e saltar, alcançar o espaço quente, o lugar firme do casaco no corpo e do alívio no ranger dos dentes.
escolheu ficar. estática. gelando.
além, escolheu de dentro buscar pouco a pouco o carinho pulsante, o calor latente, colar di-amantes perdido no lago sereno, na mesa do café, no olhar da troca.
colheu tudo o que pode no tempo que lhe restava, colheu os sorrisos, os gestos, o aperto no peito, a atenção recebida e toda a paixão, enfim, erguida.
juntou cada pedaço re-encontrado e montou com um ou dois movimentos um abrigo. quente tão quente que aquela água parecia ser só uma armadilha pra ela não continuar, e deixá-la sem experimentar a sensação mais mágica de sua vida, o que chamo aqui de Encontro. todo o resto assim lhe parecia pequeno perto disso. ilusões e devaneios de uma cabeça inchada.
fixou no que tinha em mãos, em mente, a frente, em volta, nos pés, na alma. sentiu uma paz imensa e uma vontade de ser mais. com tudo somado tinha certeza da passageira tempestade, certeza de que era apenas uma passageira sem aviso prévio, alguém que descobre como se sente a vida com cada poro do tempo. em cada poro do corpo.

foi quando quis compartilhar, contar do que tinha visto e sentido. quis falar da plenitude, do amor suave, da conquista da intimidade, do casaco grosso que tinha esquecido no armário. que agora podia emprestá-lo, ser com ele.

e foi que a água sem mais espera, inquietante, subiu subiu subiu, deixou seus braços, pernas e seu abrigo batendo, procurando saída, procurando uma voz alta que pudesse falar tudo antes do tudo. mas tal água densa sem enfim, sem conseguir escutar, congelou-a toda. deixou afogada todas as suas descobertas e seu sonhos encontrados.

ali naquele instante.





não. vou chamá-lo de canto da saudade.
gosto de vestir listras
e beijar bolinhas

delirando. o livro e o chão



esse é fera demais


*mê, chegou!

7 de novembro de 2008

DESABAfos

(co)ordenaDOR
descoordenamor

vaipraputaquepariu
e-zé-fi-ni-u

sá(ba)bado

cadavezqueemvezdecinco
vezesdoissefazemdez
dezvezessinto
dasvezesdanço
talveztechamo
promeutangomanco
orangotango

23 de outubro de 2008

se tudo que fazemos está impresso em algum canto
qual canto rima com o do sabiá?

22 de outubro de 2008

dos sabores e dos sonhos

levo da vida o que leve passeia em minhas lembranças
aquilo que pousa suave,
imagens coladas nas pálpebras semi-abertas que quando, durante à noite, em que a vida toma da face negra vontades encolhidas,
descongelam, ramificam-se, agitam-se,
descolam pra serem movimentos coloridos
silhuetas perfeitas de experiências não vividas
instigando em contínuas sublimes metamorfoses
meus desejos calados, murmúrios escondidos
toques esquecidos ...
olhares e ângulos ofuscados pela claridade do dia ...

18 de outubro de 2008

mas eu não te quero santa ...

par-seria

Durante o percurso já não havia mais tronco deitado, pedra de riacho ou papel sem linha, folha de caderno pendurada em árvore que dá manga.
Tudo parecia inédito, retido nos olhos como a primeira e única vez, parceria de terra e ser, chão e vento.

14 de outubro de 2008

dois animais metafísicos

"(..) A primeira é a "estátua sensível" de Condillac. Descartes professou a doutrina das idéias inatas; Etienne Bonmot de Condillac, para refutá-lo, imaginou uma estátua de mármore, organizada e proporcionada como o corpo de um homem e habitada por uma alma que nunca houvesse percebido ou pensado. Condillac começa por conferir um único sentido à estátua: o olfativo, talvez o menos complexo de todos. Um cheiro de jasmim é o princípio da biografia da estátua; por um instante não haverá senão esse aroma no universo, que, um instante depois, será cheiro de rosa e, depois, de cravo. Se houver na consciência da estátua um único perfume, já teremos a atenção; se perdurar um perfume quando houver cessado o estímulo, teremos a memória; se uma impressão atual e uma do passado ocuparem a atenção da estátua, teremos a comparação; se a estátua perceber analogias e diferenças, teremos o juízo; se a comparação e o juízo voltarem a ocorrer, teremos a reflexão; se uma lembrança agradável for mais vívida que uma impressão desagradável, teremos a imaginação. Engendradas as faculdades do entendimento, as da vontade surgirão depois: amor e ódio (atração e aversão), esperança e medo. A consciência de ter atravessado muitos estados dará à estátua a noção abstrata de número; a de ser perfume de cravo e ter sido perfume de jasmim, a noção do eu. (..) "

Jorge Luis Borges

8 de outubro de 2008

7 de outubro de 2008

tanto

e quando
e quanto
e(n) canto!

30 de setembro de 2008

minha-natureza-emana

plantar-e-colher
plantar-pra-comer

meu horário quebrou o tempo do relógio
me enchi de vento, voei balão

e agora não sei onde guardo tudo aquilo , o em vão ...

22 de setembro de 2008

toca-disco

gosto das palavras em desuso
das fora de moda
esquecidas

das que dizem o que as bocas têm medo
e os ouvidos correm,
a língua enrola, o peito torce

.

gasto o vocabulário
repetindo outras tantas
dando a hora, o com-passo
o ritmo da dança

quem vê, vê de fora
sente dentro, e troca-t(r)oca.

18 de setembro de 2008

Cordão

de dentro pra fora
do centro pro eixo
eu girei

criei

espaço de tráfego, de rotas de energia
espirais ascendentes
música com o tronco, braços, lados

éramos em tantos
que da mistura dos sons do corpo
geramos dança

pro-nome nosso.

17 de setembro de 2008

pipoca no chão

era ainda a plantação de limão!

10 de setembro de 2008

meditação

para quê?!
salta de pára-quedas, pára quem dá!
praquem você dá?
por que não ficar
por que não pular?
salta, e no alto avista a abertura de suas pernas
observa o traço que desconjuntado seu corpo risca no ar
junta-o ao nada por onde neste instante passeia,
junta asas, expiração e leveza
pesa tudo na alma [toneladas de excitação]

e inspira....

alcança enfim o carinho de ser, em segundos de grandeza, Humano.

5 de setembro de 2008

ali.viu?

alívio ..........

2 de setembro de 2008

celinha


mulher de itapecerica, das terças
das gargalhadas e pingado cedinho
do balanço na cozinha ao som AM
do carinho sem medida
.
- é 'dois filhos de antônio' o filme, jojo?
- não célia, não é antônio, é 'dois filhos de sebastião'
(ai, né não!?? rs)

31 de agosto de 2008

eita beleza

irritados da poeira
sacudiram os olhos
acudiram a mente, aberto e reto o caminho pra paz.
atrás do Não existido e sentido [temido]
brotaram sobre a pele branca flores coloridas
e na pisada da bota no chão
dura e seca do sol que resseca e desbota
choveu suave e fresco
encontrou afluente amigo
molhou terra, escorrEU pro mar
fluíram juntos num sorriso
poeira juntou cá
capoeira, chuva e par

20 de agosto de 2008

do fotógrafo

eu não quero me ver no reflexo dos vidros
que enquadram tuas fotografias
e montam tua exposição ...


eu quero ver o que em mim é oração,
reflexo meu refletido no teu olhar ...



*de suspiros eu olho












*tem mais no conjunto nacional

18 de agosto de 2008

das duas uma (dez pra uma)

eu prefiro as curvas ao traço reto,
as armadilhas às certezas incertas
a boca suja, desnuda de sentidos
ao silêncio covarde das noites em claro
prefiro meu gargalhar correndo pela madrugada
encontrando par
a dormir rezando, mãos juntas
sem imensidão, sem mar

ah, se prefiro!

13 de agosto de 2008

te duvidas por quê?
de onde tiras o ponto que te finalizas
que interrogas tua sina?
partes em tantas quantas até indivisíveis
até quando o tempo já é amigo-lamento
dentro do espaço. do sentir avesso
às vezes te ergues e juntas tuas tralhas
às vezes não, digo que sempre
e no chão tropeça as migalhas

então reparas

são teus, os grãos de pedras
são tuas, preciosas pedras

AMAnTE

do olhar que encontro, que tão perto encanto
de boca em boca faz gosto, sorriso de canto
que escorre gota e passeia pelo rosto
encontra caminhos, vértice na mão-contra
contra peito, rente quente

desfaz teu pranto
faz de mim cega errante,

amante

4 de agosto de 2008

quarteto

passeio bom é domingo pelo centro
é liberdade dando de esquina com a sé
cena de novela (AÇÃO!) que termina no copan
(vamos parar pro café?)
chuva fina, molha o rosto, enrola o cabelo
palavra estrangeira na ponta da língua
novos amigos pro almoço, fez-se o elo
presente aliviando a tensão
tudo com gosto de metrópole e sotaque caipira
com sorriso baixinho, visto de cima
no alto da estação

folhas amarelas

De onde se inicia uma história? Do ponto de partida que partiu em mim mais de uma. Do final do romance, história vivida e real, que revive a todo instante na memória registradora. Vem da lembrança gaga que pede a si mesma que não lembre, pra que pare de sentir.
Se sinto sei do que sou feita. Vivencio na medida em que experimento. Se calo, guardo sem voz a saudade que me sofre. Assim, do ponto de chegada, ela passa a existir em relato.

Daqui parto.